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Ambidestria Organizacional: Você sabe o que é?

Antes de começarmos, pense na sua empresa ou na empresa na qual você trabalha hoje e reflita:

Sua organização foca somente na estratégia de curto prazo?
Você identifica uma cultura de previsibilidade e controle na sua empresa?
Você é mais cobrado para manter seu dia a dia ou inovar?

Se você respondeu “sim” para essas perguntas, provavelmente está atuando em uma organização pouco aberta à inovação, e consequentemente uma organização não ambidestra.

Mas calma que vou te explicar um pouco mais sobre como entendo e aplico tudo isso!

Se por um lado as startups têm como principais características a persistência frente às incertezas do mercado, a experimentação na criação de produtos e consequentemente a inovação, por outro lado as grandes empresas, mais tradicionais e maduras, têm estruturas estáveis, com processos e controles mais estabelecidos, com o objetivo de entregar eficiência e rentabilidade, garantindo a manutenção do negócio.

O ponto em comum que tenho observado é o dilema da necessidade de se ter, dentro da mesma empresa, elementos distintos de ambos os modelos. Ao mesmo tempo em que o mundo atual, que passa por grandes transformações e aceleração exponencial de tecnologias, exige a flexibilidade e o poder de inovação de uma startup, é preciso ter um modelo de gestão estruturado que garanta as entregas do dia a dia e a escalabilidade da gestão.

A ambidestria organizacional sugere que façamos movimentos opostos, complementares e ao mesmo tempo! Sim, você leu certo, tudo junto! Mas vamos partir do básico: exploração e explotação, duas palavras mágicas na ambidestria. A exploração se resume na capacidade de olhar e agir de maneira focada, para permitir movimentos de antecipação, inovação e adaptação, que podem ser traduzidos, na prática, em atributos como insight & foresight, inspiração & paixão e tentativa & erro.
Já a explotação tem foco em desenvolver fortes capacidades de planejamento, otimização e controle, resultando em exemplos como formalização & compliance, controle & monitoramento e documentação histórica & experiência.

O conceito não é novo e foi desenvolvido pelo professor de administração da Universidade de Stanford Charles O’Reilly enquanto estudava lideranças disruptivas. Ele percebeu a necessidade de investir na melhoria constante de processos, serviços e produtos já existentes nas organizações e, ao mesmo tempo, inovar e antecipar as necessidades dos clientes.

Muitas organizações se desenvolveram tendo uma área específica de P&D ou um departamento de inovação para cuidar de melhorias e desenvolvimento de novos produtos e serviços, enquanto mantinham o restante da organização entregando as demandas do dia a dia, em seu status quo. Porém, isso não é mais suficiente. A inovação passa a ser uma habilidade e um modelo de operação que tem que estar incorporado nas estruturas de gestão e cultura para toda a organização. Mesmo as atividades mais básicas e processuais do dia a dia precisam ser repensadas a todo instante. Onde podemos melhorar? Onde podemos incrementar? Onde podemos transformar?

Para colocar essa habilidade em prática, nós reunimos 3 pilares fundamentais que aplicamos em nossos clientes para desenvolver uma organização ambidestra:

DIREÇÃO & TRANSFORMAÇÃO: propósito e focos para a transformação;
ESTRUTURA e PROCESSOS: o sistema que suporta a operação;
PESSOAS & CULTURA: o molde que garante a coerência e conexão.

DIREÇÃO (STEERING) & TRANSFORMAÇÃO
O primeiro passo para iniciar uma transição organizacional para a ambidestria é garantir que todos os movimentos estejam coordenados e em alinhamento, e que também exista um forte engajamento dos colaboradores. É promover clareza do propósito e da visão, além de garantir a compreensão das motivações para a transformação.

ESTRUTURA & PROCESSOS
A estrutura também precisa ser ajustada para promover um modelo de gestão que
permita transitar entre os dois mundos a qualquer instante. Dependendo do dinamismo e da diversidade da organização, existem diferentes formatos que podem ser adotados.

PESSOAS & CULTURA ORGANIZACIONAL
Estratégia e cultura são duas frentes-chaves para equilibrar o resultado
e eficácia dos negócios. A estratégia dá a visão e as prioridades para todos, a cultura então entra como a base de comportamentos, valores e crenças que suportam a entrega dessa estratégia.

Por fim, vale destacar que toda transformação começa e deve ser endossada pela liderança, que vai precisar desenvolver a ambidestria, ou seja: serem inovadores, elásticos e adaptáveis às mudanças e, ao mesmo tempo, eficientes e disciplinados.
No próximo artigo falaremos mais sobre os pilares-chaves para a liderança ambidestra.

Andrea Dietrich

Estrategista de Transformação Digital & Branding, Co-founder da Ambidestra, Podcaster e Palestrante

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no tempo certo

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