1,36 mil MW! Esse é o número que define o potencial do mercado de data centers no Brasil até 2030. Para quem trabalha com a construção e operação dessas estruturas críticas, trata-se de mais do que uma projeção: é a representação de um setor que cresce a passos largos, com um CAGR (Compound Annual Growth Rate, ou Taxa de Crescimento Anual Composta) de 9,08% entre 2025 e 2030. A capacidade de carga de TI, que em 2025 será de 0,88 mil MW, acompanhará o ritmo acelerado da digitalização no país, refletindo a crescente demanda por armazenamento, processamento e transmissão de dados.
Cada megawatt dessa expansão carrega uma história. Em 2022, o tráfego médio de dados por smartphone no Brasil foi de 5,3 GB por mês. Até 2029, esse número deverá atingir 17,1 GB por mês. E não são apenas smartphones. A cada clique em uma loja online, cada filme assistido por streaming e cada transação bancária feita pelo celular, está o trabalho invisível de data centers que sustentam essa revolução digital. É um mercado que não só cresce, mas também se transforma em uma infraestrutura indispensável para a vida moderna.
São Paulo desponta como o principal hotspot do setor, seguido pelo Rio de Janeiro. Juntas, essas duas regiões concentram a maior parte dos investimentos, com empresas como Ascenty, Scala e Equinix liderando a construção de megaestruturas que atendem à crescente demanda por serviços de colocation. Mas a revolução não para por aí. Regiões menos tradicionais também estão sendo integradas por meio da expansão de redes de fibra óptica e da construção de data centers de pequeno e médio porte, democratizando o acesso à infraestrutura digital.
Essa expansão, no entanto, vai além de geografia ou números de mercado. Há uma evolução tecnológica em curso. A predominância de data centers Tier 3 – que devem representar 36% do mercado em 2030 – demonstra a busca por confiabilidade e eficiência. Ainda mais impressionante é o crescimento projetado para os Tier 4, com um CAGR de 22,12%, à medida que empresas exigem maior redundância e tolerância a falhas.
Por trás desses números, estão desafios igualmente significativos. Segundo Marco Alberto Silva, fundador e presidente da Engemon Engenharia & Construção, “Com a necessidade da construção de todas estas novas infraestruturas para data centers, o Brasil se vê novamente com o ‘fantasma’ do ‘apagão’ de mão de obra especializada para o setor. Nas últimas décadas, pouco se investiu em formação técnica, seja na área de TI ou na construção civil. Vale lembrar que data centers são construções que requerem pré-requisitos técnicos e certificações internacionais exigidas por gigantes como Microsoft, Google e AWS. Nesta corrida, destacam-se técnicas de construção como pré-fabricados e contêineres, que se apresentam como soluções mais rápidas, limpas, sustentáveis e econômicas.”
A eficiência energética também se torna uma meta crucial em um país onde a energia ainda é cara e dependente de fontes não renováveis. O conceito de Power Usage Effectiveness (PUE) ganha destaque, com operadores buscando níveis próximos de 1,2 – o padrão ouro da eficiência. Paralelamente, a competição global pressiona os players locais a inovarem e se adaptarem rapidamente às demandas de um mercado em constante mudança.
E o futuro? Ele não será definido apenas por números ou pela capacidade técnica dos data centers. Será moldado pelas decisões que tomamos hoje sobre inclusão digital, sustentabilidade e inovação. A infraestrutura digital do Brasil cresce para atender a um mundo cada vez mais conectado, mas a verdadeira pergunta que fica é: como queremos usar esse poder? Conectar ou excluir, transformar ou perpetuar? Afinal, como os dados que movimentamos, o futuro é, em última instância, reflexo de nossas escolhas.
Crédito da foto: http://Engemon.com.br