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Café é fruta, gente!

Foi a convite do Jorge Gueren, especialista em Negociação e do Leonardo Soares da Nespresso que entrei naquele espaço como quem entra num laboratório alquímico. A promessa era simples: uma masterclass de café. Mas o que encontrei foi outra coisa. Um ritual. Um reencontro. Um espanto bom.

Leonardo, que volta à casa como quem retorna ao próprio sobrenome, abriu os trabalhos com um sorriso tímido e a autoridade de quem entende que café não se serve, se celebra. Ao lado dele, Simone e Andresa. Três nomes. Uma orquestra sensorial.

A gente começou cheirando.

Sim, antes de provar, a instrução era sentir. Primeiro com o café quieto. Depois mexido. Depois com a palma da mão aquecida. O mesmo café, três aromas. “perceberam como muda?”, perguntou a especialista. E eu me peguei pensando: desde quando a gente parou de reparar nas mudanças?

Depois vieram os goles. Pequenos, curtos, respeitosos. O primeiro confunde, o segundo prepara, o terceiro revela. “É aí que o café mostra quem é”, disseram. E ali estava ele: intenso, vibrante, cheio de camadas. Chocolate, frutas vermelhas, cereais, uma leve acidez. Café é fruta, gente! Fruta torrada, trabalhada, cuidada.

E então veio a parte lúdica: harmonizar. Queijo com geleia, café por cima. A doçura da combinação tirando o açúcar da equação. “O café adoçou”, alguém comentou. E era verdade. A cada combinação, um novo sabor surgia. Não era sobre esconder o café, era sobre encontrá-lo com outra companhia.

O momento mais marcante talvez tenha sido quando contaram que uma xícara de café pode conter até 900 sensações diferentes. Mais do que o vinho. “É por isso que ele muda tanto no paladar. Cada gole é um pedaço diferente da história.”

E que história.

Saí de lá não apenas com o paladar mais apurado, como prometido. Saí com uma reverência maior por esse líquido que a gente costuma apressar entre um compromisso e outro. Café, aprendi, é pausa. É presença. É memória afetiva embalada em crema.

Uma experiência que me fez lembrar que até o café tem muito a dizer, desde que a gente pare para escutar.

Marco Marcelino

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