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Equatorial levanta R$ 10 bilhões com venda estratégica de transmissão

A Equatorial Energia concluiu a venda de todos os seus ativos de transmissão de energia, totalizando um enterprise value de R$ 9,39 bilhões. A operação foi realizada com o fundo canadense CDPQ, por meio de sua subsidiária Verene Energia, que já atua no Brasil com linhas em Mato Grosso, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, além de um ativo no Uruguai. O equity value da transação foi fixado em R$ 5,18 bilhões, com correção pelo CDI até o fechamento do negócio.

Por Gustavo Fleming Martins··2 min de leitura
Equatorial levanta R$ 10 bilhões com venda estratégica de transmissão

Transação com fundo canadense realinha estrutura financeira e foco de atuação

A Equatorial Energia concluiu a venda de todos os seus ativos de transmissão de energia, totalizando um enterprise value de R$ 9,39 bilhões. A operação foi realizada com o fundo canadense CDPQ, por meio de sua subsidiária Verene Energia, que já atua no Brasil com linhas em Mato Grosso, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, além de um ativo no Uruguai. O equity value da transação foi fixado em R$ 5,18 bilhões, com correção pelo CDI até o fechamento do negócio.

A estrutura de venda inclui a transferência de uma dívida líquida de R$ 2,8 bilhões, que será ajustada conforme dividendos e redução de capital distribuídos antes da operação. Esses ajustes incluem R$ 1,5 bilhão já retornados à Equatorial via dividendos e capital devolvido, impactando o valuation final. Os ativos negociados foram adquiridos entre 2016 e 2017, em leilões que se destacaram pelo retorno projetado, e atualmente geram um EBITDA anual de cerca de R$ 1,1 bilhão. O múltiplo da venda foi de 8 vezes o EBITDA.

A empresa alcançou uma taxa interna de retorno nominal de 43% no segmento ao longo de oito anos, com um MOIC de 8 vezes, de acordo com análise do BTG Pactual, banco que assessorou a operação. A transação vem na esteira de investimentos recentes da Equatorial, como a aquisição de 15% da Sabesp, em 2024, por R$ 7 bilhões. Esse movimento elevou a alavancagem da companhia para 3,3 vezes o EBITDA, gerando preocupações no mercado sobre a necessidade de uma nova emissão de ações.

Com a venda, a alavancagem deve cair em aproximadamente 0,45 vez, o que afasta, no curto prazo, o risco de diluição acionária. A medida também permite à companhia realocar capital em outras frentes consideradas mais estratégicas, como distribuição de energia, recompra de ações e novas oportunidades no setor de saneamento. A Equatorial também mantém em seu portfólio investimentos como a Echoenergia e a distribuidora CELG, adquiridas em operações entre R$ 7 bilhões e R$ 10 bilhões de enterprise value.

A estratégia da empresa tem sido a de realizar ativos maduros para reciclagem de capital em projetos com potencial de retorno mais elevado. O CEO da Equatorial, Augusto Miranda, indicou que a companhia continuará atenta a novas oportunidades no mercado, reforçando a importância de manter uma estrutura de capital flexível. A companhia vale atualmente R$ 41 bilhões na B3 e negocia a uma TIR real estimada em 12%, com ações sem variação significativa nos últimos doze meses.

Autor

Gustavo Fleming Martins

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