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Shell intensifica recompras enquanto avalia movimento estratégico sobre a BP

A Shell segue avançando em sua estratégia de retorno ao acionista ao mesmo tempo que monitora uma possível janela de aquisição da BP, rival britânica em situação fragilizada após perdas expressivas com apostas em renováveis. Com valor de mercado em queda livre — £56 bilhões, após desvalorização de 30% em um ano — a BP voltou ao radar de movimentos estratégicos no setor, especialmente após declarações do fundo ativista Elliott Management, que detém 5% da companhia e pressiona por ações mais agressivas diante do cenário adverso.

A Shell, por sua vez, perdeu 14,6% no mesmo período e atualmente vale £149 bilhões, quase três vezes o valor da BP. Mesmo diante da retração do petróleo Brent, que caiu 27% nos últimos 12 meses, a empresa reportou lucro ajustado de US$ 5,6 bilhões no primeiro trimestre de 2025 e anunciou US$ 3,5 bilhões em recompras de ações, marcando o 14º trimestre consecutivo com pelo menos US$ 3 bilhões alocados para reduzir o float. A projeção atual do CEO Wael Sawan indica capacidade de recomprar até US$ 7 bilhões por ano mesmo com o barril de petróleo a US$ 50, e manter dividendos se o preço não recuar abaixo de US$ 40.

Apesar de negar oficialmente o interesse pela BP, fontes ouvidas pela Bloomberg indicam que a Shell avalia o movimento, aguardando queda adicional das ações da concorrente ou sinal público de abertura para fusão. A estratégia seria reforçar a presença nos EUA e ampliar a base produtiva, aproximando a Shell de players como Chevron e ExxonMobil, que possuem valores de mercado de US$ 237 bilhões e US$ 447 bilhões, respectivamente. A Shell ainda está distante desse patamar, mas vê na BP uma oportunidade de ganho de escala e penetração geográfica.

O desafio, no entanto, está na disciplina de capital. A Shell tem reiterado ao mercado que, diante da volatilidade do petróleo e dos sinais de sobreoferta estimulados pela Opep+, movimentos inorgânicos serão analisados com rigor. O plano atual prioriza corte de custos, recompras e seletividade. O fracasso da BP ao migrar para renováveis e a ausência de um plano de recuperação robusto também elevam o risco de integração.

O setor de energia global enfrenta um novo ciclo de consolidação, impulsionado por pressões de investidores, flutuações nos preços das commodities e necessidade de escala para manter rentabilidade. Nesse contexto, ativos descontados com presença relevante em mercados estratégicos voltam ao radar. A BP, que já figurou como uma das líderes do setor, pode agora servir de peça-chave em um tabuleiro cada vez mais competitivo — desde que o preço, e o timing, se mostrem certos.

Gustavo Fleming Martins

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