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Smart Glasses ganham força com dados sensoriais e aposta bilionária das big techs

O mercado de smart glasses, que por anos acumulou fracassos de grandes empresas, começa a dar sinais concretos de retomada. Ao contrário dos smartphones, que dependem da ação do usuário, os óculos inteligentes capturam dados visuais, sonoros e contextuais em tempo real, criando um ecossistema de interação contínua. Isso abre novas frentes tanto para consumidores, que ganham liberdade das mãos, quanto para empresas, que enxergam um canal direto de coleta e monetização de dados sensoriais.

As big techs entraram de vez na disputa. A Meta, com sua parceria com a Ray-Ban, liderou um aumento de 210% nas remessas globais de óculos inteligentes no primeiro trimestre de 2025. Já a Apple, mesmo discreta, sustenta sua aposta com a força do ecossistema e integração com seus dispositivos. OpenAI também prepara um dispositivo próprio com o ex-chefe de design da Apple, enquanto gigantes asiáticas como ByteDance, Baidu e Alibaba aceleram seus investimentos em P&D, aproveitando a vantagem competitiva na fabricação de hardware e estrutura de custo.

A disputa, no entanto, não é só de tecnologia. O Ocidente conta com regras mais rígidas de privacidade, infraestrutura de distribuição e brand equity consolidado, fatores que podem pesar na adoção em larga escala. Já os concorrentes orientais, mesmo sob desconfiança de parte dos mercados globais, avançam com velocidade, inovação e capilaridade de produção.

O histórico não favorece o otimismo. Google Glass, HoloLens da Microsoft e Echo Frames da Amazon já repousam em um cemitério de apostas frustradas. Mas o cenário mudou. A convergência entre IA generativa, comandos por voz e avanço de baterias compactas cria uma base tecnológica mais robusta para viabilizar produtos com apelo real. Além disso, a experiência do usuário com comandos naturais — olhar, falar e ouvir — transforma os smart glasses em uma possível nova camada de interface homem-máquina.

Com uma projeção de crescimento de US$ 878,8 milhões em 2024 para US$ 4,1 bilhões até 2030, o setor sinaliza que a disputa está longe de ser resolvida, mas os incentivos estão claros: dados contínuos, novos modelos de monetização e a chance de inaugurar a próxima grande plataforma computacional.

Gustavo Fleming Martins

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