Falar sobre dinheiro pode soar frio, mas quando olhamos para o trabalho da Forbes entendemos que a fortuna é apenas a superfície de histórias muito maiores. A nova edição da lista de bilionários brasileiros revela mais do que cifras: ela mostra caminhos, escolhas e a forma como o país se movimenta em seus bastidores econômicos.
Na liderança, Eduardo Saverin, cofundador do Facebook, é um símbolo de como a tecnologia ainda dita os rumos do capital global. Com R$ 227 bilhões, sua fortuna cresceu 45,5% em apenas um ano, impulsionada pela onda da inteligência artificial. Quase R$ 100 bilhões à frente de Vicky Sarfati Safra e família, que figuram na segunda posição com R$ 120,5 bilhões, ele representa uma geração que soube enxergar valor antes da maioria.
Vicky, por sua vez, é a única mulher entre os dez primeiros. Aos 73 anos, segue como guardiã de um patrimônio que mistura tradição e solidez, mantendo-se à frente do Banco Safra e acumulando 9,4% de crescimento no período. A presença feminina, ainda restrita a 60 nomes de um total de 300 bilionários, merece ser ressaltada, não apenas pelo volume, mas pelo impacto de quem consegue abrir espaço em um território historicamente masculino.
Na terceira posição, Jorge Paulo Lemann, com R$ 88 bilhões, mesmo em queda de 4,2%, segue como ícone da escola brasileira de investimentos globais. Logo atrás, André Esteves, do BTG Pactual, mostra a força do setor financeiro ao saltar 56% e chegar a R$ 51 bilhões. É uma lembrança de como a reinvenção constante se tornou regra de sobrevivência.
A lista segue com os Moreira Salles, Fernando Roberto e Pedro, juntos carregando o peso de Itaú e CBMM. Sicupira e Behring, representantes da 3G Capital, lembram que até os gigantes também enfrentam retrações. Miguel Krigsner, fundador do Boticário, mostra que a beleza pode ser um negócio bilionário — R$ 34,2 bilhões, um crescimento de quase 20%. Já Jorge Moll Filho, da Rede D’Or, é um caso que impressiona: sua fortuna mais do que dobrou, chegando a R$ 30,4 bilhões, reflexo do crescimento da saúde privada no Brasil.
No conjunto, são 240 homens, com patrimônio somado de R$ 1,68 trilhão, e 60 mulheres, que acumulam R$ 343,7 bilhões. A cada edição, novos nomes surgem: foram 31 brasileiros que alcançaram o marco de R$ 1 bilhão neste ano. É o retrato de um país desigual, sim, mas também pulsante em sua capacidade de criar riqueza.
O mérito da Forbes está em dar clareza a esse mosaico. Não se trata apenas de uma vitrine de fortunas, mas de um registro histórico que ajuda a entender tendências, movimentos de setores e a força das escolhas individuais. Ao mostrar quem são os maiores detentores de riqueza, a revista nos lembra que, por trás dos números, há sempre visão, risco e disciplina.
Celebrar essas trajetórias é, de certa forma, celebrar a capacidade do Brasil de se reinventar e continuar gerando legados. Parabéns Forbes, meu máximo respeito e admiração.