Se eu tivesse que resumir marketing em uma frase, seria: eliminar as objeções do cliente, antes, durante e depois da compra. Isso vale para loja física e para o digital. “Vaga” em frente à farmácia é um bom exemplo de tirar fricção, mas é só um entre vários elementos de uma estratégia madura que combina conveniência, desejo de marca e oferta inteligente.
Começo pelo contexto. O consumidor de hoje decide rápido e local. Pesquisas do Google mostram que buscas do tipo “perto de mim” explodiram nos últimos anos e têm alta intenção de visita, muita gente que procura algo no smartphone vai até um negócio em seguida. Isso reforça a importância de estar visível e disponível na hora certa, com acesso fácil (endereço, horários, retirada rápida, entrega curta).
Mas conveniência sozinha não sustenta margem. É aqui que entra marca e experiência. Estudos clássicos sobre omnicanalidade mostram que clientes que interagem em múltiplos canais gastam mais do que os de um único canal, a exposição consistente ao produto e à marca aumenta ticket e recorrência.
Agora, traga isso para o varejo (físico + digital) de forma prática:
- Remova fricções operacionais. Disponibilidade de estoque, rota de loja clara, checkout simples, retirada e entrega rápidas. No digital, tempo de carregamento, frete e política de trocas contam tanto quanto anúncio. Consumidores valorizam jornadas “sem atrito” é prioridade nas agendas de varejo mundo afora.
- Construa desejo com consistência. Conteúdo, prova social, design de loja, atendimento, tudo comunica posição de marca. Conveniência traz gente; significado e confiança fazem voltar.
- Orquestre canais para capturar valor. O cliente quer escolher: comprar no app e retirar, testar na loja e receber em casa, assinar no e-commerce e resolver dúvidas no WhatsApp. Quando isso funciona, o resultado aparece. Caso: a RD (RaiaDrogasil) reportou 147 milhões de visitas aos apps/sites em 2T24 e mostrou que clientes frequentes “digitalizados” gastam 28% mais do que os não digitalizados, métrica clara de valor da omnicanalidade bem executada.
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- Ative oportunidades sem destruir margem. Promoção é ferramenta, não estratégia. Use inteligência de sortimento, preço dinâmico e benefícios condicionais (ex.: retirada grátis, upgrade no prazo, cashback em nova compra) para “fazer bom negócio” sem treinar o cliente a só comprar com desconto.
- Meça e aprenda rápido. Acompanhe taxa de conversão por canal, participação de clique-e-retire, tempo de entrega, NPS por etapa, custo de aquisição e LTV. Ajuste criativos, UX e operação semanalmente. Lembre: a grande guerra está na velocidade e na conveniência percebida, atributos pelos quais clientes topam pagar mais e que elevam a satisfação.
E onde entra a “vaga” da farmácia? Como um eliminador de fricção. Para compras de urgência, proximidade e acesso imediato pesam. A tendência de buscas locais e a ida rápida à loja após a busca comprovam isso. Mas a estratégia vencedora vai além: combina acesso fácil (estacionar/retirar/entregar), experiência de marca que educa e diferencia, e um motor de oportunidades saudável que não depende de liquidação permanente.
Em resumo: pense o marketing como engenharia de experiência. Tire barreiras (acesso, estoque, checkout), crie desejo (marca, serviço, conteúdo), e ative oportunidades com inteligência (promo certa para a persona certa, no canal certo). Onde essa engrenagem roda de ponta a ponta, como no caso da RD ao digitalizar o cliente e integrar canais, o resultado aparece em visita, ticket e margem.