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Vale a pena investir no Brasil?

Quando economistas dizem “não existe almoço grátis” eles querem dizer que todas as decisões econômicas envolvem Trade-offs, escolhas excludentes. Ou seja, existe um custo inerente ao fato de que os recursos são sempre escassos para atender às necessidades e/ou desejos ilimitados.

Porém, quando pensamos em uma carteira de investimentos, na qual precisamos fazer a melhor escolha, combinando o maior retorno possível com o menor risco, existe sim um “almoço grátis”, o da diversificação.

E não pense que a diversificação é exclusiva apenas para gente milionária, com muito patrimônio no banco. Com a evolução das plataformas de investimento, hoje é possível, com pouco recurso, montar um portfólio bastante diversificado, não só em ativos brasileiros, mas também internacionalmente, em que o leque de temáticas é muito maior e trará novas oportunidades de retorno.

Quando concentramos as carteiras em ativos do Brasil, ficamos muito expostos a riscos locais. Em caso de aumento da percepção de risco doméstico, como político ou fiscal, todos os ativos brasileiros tendem a reagir negativamente. Por outro lado, eventos locais pouco influenciam os mercados internacionais. Portanto, para nos protegermos da volatilidade no Brasil, a melhor estratégia é diversificar a carteira em outras regiões e moedas, que tendem a não serem afetadas por eventos que acontecem por aqui.

Ok, agora que já sabemos que se deve ter os ovos em várias cestas, inclusive além das fronteiras do Brasil, e também sabemos que cenário político por aqui não está nada tranquilo, com mudança de governo definida, mas ainda sem conhecer a nova equipe econômica e qual será a agenda dessa equipe, principalmente em relação ao problema fiscal brasileiro, nosso calcanhar de Aquiles na última década, devemos fazer grandes mudanças em nossa carteira, dolarizar tudo, comprar imóvel ou colocar todo o recurso embaixo do colchão?

A resposta é não, pois, por incrível que pareça, o Brasil nesse mesmo momento de incerteza no cenário político é talvez a melhor opção de investimento entre todos os emergentes e uma ótima alternativa aos mercados desenvolvidos. E isso já começa a ficar visível em nossa bolsa, que no ano acumula aproximadamente 10% de alta e mais de 20% em dólar, enquanto os mercados globais acumulam fortes quedas, entre 20% e 30%.

Essa performance superior do mercado brasileiro em relação às demais bolsas globais tem sido uma combinação de: forte exposição a commodities e bancos, níveis de valuation ainda bastante descontados das nossas empresas, fim do ciclo de alta de juros, riscos geopolíticos entre grandes economias, como Europa e Rússia, EUA e China e China e Taiwan, e por último riscos crescentes de recessão nas principais economias globais à medida que os principais bancos centrais ainda estão sendo obrigados a promover aumentos de juros para controle da inflação persistente.

Os riscos elevados ao redor do mundo acabaram por destacar o Brasil como um mercado atrativo para investidores globais, e pode levar ao descolamento em relação ao resto do mundo. Daqui para a frente, os maiores riscos para a Bolsa brasileira continuam sendo os riscos de recessão global – o que impactaria os lucros das empresas – e riscos domésticos relacionados à agenda fiscal do próximo governo. O lado positivo é que o mercado brasileiro já está extremamente barato e descontado e as empresas apresentam risco baixo, ou seja, com baixos níveis de dívida em relação ao passado, e potencial de bons pagamentos de dividendos. Isso sem contar a nossa bastante atrativa taxa de juros para quem é mais conservador. São fatores que, junto com a bolsa barata, podem fazer com que o Real também seja uma moeda mais forte ao longo dos próximos meses.

Sendo assim, mantenho uma visão positiva em relação ao Brasil.

Alexandre Carvalho

Jornalista e escritor. Editor-chefe das revistas VOCÊ RH e VOCÊ S/A

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