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A Permissão que Faltava

Era só um papel. Um rabisco à caneta no canto de um caderno esquecido. “Eu posso”, dizia. Duas palavras magras, quase tolas, se não fosse o tamanho da prisão que derrubaram.
Engraçado como às vezes o que falta para a vida andar não é mais um curso, uma planilha, um contato, uma chance divina. O que falta é um carimbo simbólico, um bilhete assinado por nós mesmos: “Vai lá, você tem permissão.” Lembro de quando era criança e precisava daquelas autorizações da escola para ir à excursão. Minha mãe assinava, eu entregava, e pronto, o mundo se abria em forma de museu, parque ou fábrica de biscoito. Sem a assinatura, não importava minha vontade eu não ia. E hoje, adulto, sigo esperando que alguém me assine o papel da vida.
Nos textos de Abraham Hicks, chamam isso de “permission slip”. Um objeto, uma frase, um ritual qualquer que convença a mente a parar de atrapalhar o coração. Porque, no fundo, o desejo já sabe onde ir. O problema é que a gente trava na dúvida, no “será que posso?”, no “e se não der certo?”.
Aí inventamos amuletos, quadros de visão, afirmações no espelho. “Sou suficiente”, repetimos, como se estivéssemos convencendo o espelho de um segredo que só nós não acreditamos. E funcionam. Não por mágica, mas porque simbolizam o mais importante, a permissão de tentar ser quem se é, sem pedir desculpa.
É poético pensar que precisamos desses bilhetes temporários, como muletas para atravessar uma ponte. E mais bonito ainda perceber o momento em que largamos tudo isso e seguimos leves, confiando. Sem mapa, sem ritual. Só com a certeza de que podemos e pronto.
Tem gente que chama de feitiço. Outros, de fé. Eu chamo de liberdade. Aquela que começa no instante em que paramos de pedir licença para viver a própria vida.
E se hoje você ainda precisa de um “permission slip”, que seja. Escreva. Rasgue. Reescreva. Cole no espelho. Pendure no peito. Diga em voz alta. Mas, por favor, não espere mais ninguém autorizar o seu brilho. Porque o universo, esse sim, já carimbou faz tempo. Falta só você assinar.

Marco Marcelino

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