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WhatsApp começa a vender mais que conversa

Com mais de 3 bilhões de usuários globais, o WhatsApp começa a dar sinais concretos de que não será apenas um app de mensagens — e sim um motor de receita cada vez mais relevante para a Meta. A empresa inicia oficialmente a exibição de anúncios na aba Atualizações, onde ficam os Status e os Canais. Trata-se da primeira iniciativa estruturada de publicidade dentro do aplicativo desde que foi comprado por US$ 19 bilhões, em 2014.

A nova funcionalidade permitirá que empresas paguem para promover seus canais, com segmentação baseada em localização, idioma e hábitos dos usuários. Criadores de conteúdo também poderão oferecer assinaturas pagas com conteúdos exclusivos, testando um novo modelo de monetização direto dentro da plataforma. A escolha da aba Atualizações não é aleatória: ela já recebe mais de 1,5 bilhão de visitas por dia — um tráfego valioso que antes não gerava receita direta.

Apesar de ser o mensageiro mais utilizado no planeta, o WhatsApp ainda representa pouco para o caixa da Meta. Em 2023, o app gerou US$ 1,8 bilhão em receita — valor expressivo, mas ainda 91 vezes menor que o resultado do Facebook no mesmo período. A comparação mostra o quanto a plataforma estava subaproveitada do ponto de vista comercial.

O movimento, porém, é parte de uma transformação maior. Recentemente, o WhatsApp ganhou integração com inteligência artificial, ferramentas de automação para empresas e virou carteira digital em alguns países. Agora, ao entrar no jogo da publicidade, começa a explorar seu ativo mais valioso: a atenção constante de bilhões de pessoas.

Mark Zuckerberg já declarou que vê as mensagens como o “próximo grande pilar” da Meta. A introdução de publicidade e modelos de assinatura marca mais um passo para que o WhatsApp evolua de mensageiro para ecossistema completo — com conversas, conteúdo, serviços e compras em um só lugar.

Gustavo Fleming Martins

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