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45 jatos da Embraer para a SAS desafiam pressão dos EUA

Contrato recorde de R$ 22 bi com companhia dinamarquesa busca reforçar diversificação estratégica em meio aos impactos da tarifa de 50% proposta por Trump.

A Embraer assegurou a maior encomenda de sua história, 45 unidades do jato E195-E2 para a Scandinavian Airlines (SAS), avaliada em cerca de R$ 22 bilhões, um salto que ecoa com força no momento em que a empresa enfrenta a ameaça de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, proposta pelo governo Trump para vigorar em 1º de agosto de 2025 . Esta venda representa o maior pedido de um único cliente desde 1996, um movimento estratégico para reduzir a dependência do mercado norte-americano.

Com aproximadamente 60% de seu faturamento vindo dos EUA, a Embraer está vulnerável aos impactos da tarifa, que pode reduzir os lucros em até US$ 475 milhões em 2026, o equivalente a um encolhimento de 55% a 60% nas projeções operacionais . Na esteira do anúncio da punição, suas ações chegaram a cair cerca de 8% na Bovespa, encerrando em baixa de 5%, segundo relatório da Reuters.

Para se blindar, o Ministério de Portos e Aeroportos já estuda mecanismos para proteger os embarques de aeronaves, que figuram entre os 10 principais produtos exportados pelo Brasil aos EUA . Paralelamente, o governo brasileiro aposta numa abordagem diplomática combinada com ajustes de mercado: prioridade ao agronegócio na busca por novos pactos, articulação de respostas recíprocas e diversificação comercial, movimento que fortalece a Embraer no voo rumo à Escandinávia.

Além do contrato com a SAS, a Embraer se beneficia da valorização de mais de 100% de suas ações nos últimos 12 meses, mesmo com a recente volatilidade provocada por ruídos políticos . A expansão da empresa para fora dos EUA reflete uma estratégia mais ampla: mitigar riscos e estabelecer rotas comerciais que equilibrem suas cadeias produtivas e de receita.

Esta escalação de riscos externos, tarifas, ruído geopolítico, diversificação de mercados, combina mais do que qualquer previsão financeira: ela reflete um novo ciclo global para a indústria aeronáutica brasileira. O megacontrato com a SAS não é apenas econômico, é simbólico. Fica o questionamento: diante de tempestades protecionistas, o que será prioritário, ganhar altitude ou aterrisar sem controle?

Gustavo Fleming Martins

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