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Agfa na ExpoPrint: como a impressão digital está redefinindo os limites do setor gráfico

O setor gráfico brasileiro leva décadas discutindo a transição para o digital. Na ExpoPrint, a Agfa decidiu parar de discutir e demonstrar. O estande da empresa foi projetado como uma prova técnica em tempo real: máquinas imprimindo ao vivo, materiais difíceis, visitantes levando peças para casa.
A pergunta que a Agfa trouxe para a feira não era “a impressão digital consegue?”, era “até onde ela já chegou?”. Michele Marina, do Marketing Interno da empresa, acompanhou cada conversa no estande e foi direta sobre o posicionamento. “O futuro é digital. A gente entende que ainda tem um caminho pela frente, mas as empresas precisam se digitalizar. E a impressão digital já entrega a qualidade que o mercado exige.”
Duas máquinas ancoraram a demonstração: a Jeti Tauro H3300 e a Anapurna Ciervo H3200. A escolha não foi aleatória, cada equipamento representa uma fronteira diferente da impressão digital. A Jeti Tauro H3300 opera no universo de sinalização e display em grande formato. A Anapurna Ciervo H3200 vai a um território historicamente mais resistente à digitalização: embalagem e impressão em substratos rígidos e irregulares, como papel cartão e papel ondulado.
É justamente nesse segundo território que a Agfa apresentou um diferencial técnico concreto. A Anapurna Ciervo H3200 conta com o sistema de *skis*, um dispositivo integrado à máquina que mantém o substrato nivelado durante o processo de impressão. O efeito prático é significativo: materiais que antes causavam quebra de tinta ou queda de qualidade passam a receber impressão com consistência gráfica. “A gente entendeu que havia uma deficiência grande do mercado nesse tipo de impressão”, disse Michele Marina. “Papel ondulado, papel cartão, são materiais que dão trabalho. Ou a tinta quebra, ou a qualidade fica abaixo do esperado.”
Para tornar a demonstração mais próxima da realidade operacional do mercado, a Agfa trouxe parceiros que forneceram papéis específicos e que foram impressos ao vivo durante a feira. Cartão, papel ondulado, PS e materiais em cristal passaram pelas máquinas diante dos visitantes, não como simulação, mas como produção real.
A ativação do estande reforçou esse argumento de forma inesperada. Imagens com referências brasileiras, entre elas uma reprodução de Paraty, foram impressas e disponibilizadas para os visitantes levarem. O que chamou atenção não foi o gesto, mas o contexto técnico por trás dele. “Uma moça parou e me perguntou se podia levar pra casa”, contou Michele. Aquelas peças haviam sido produzidas em modo *draft*, a configuração mais básica da máquina. A qualidade surpreendeu quem não esperava esse nível em produção de baixa prioridade.
O estande foi estruturado como um túnel com nichos temáticos: cada seção mostrava uma aplicação diferente da tecnologia digital, embalagens, displays de ponto de venda, uma maleta com impressão que reproduz textura de tecido. A entrada trazia a frase “Descubra o futuro da impressão digital”. O conjunto foi projetado para que o visitante experimentasse, não apenas observasse.
O argumento central da impressão digital não é mais só qualidade. É viabilidade operacional. Com tecnologia digital, tiragens curtas tornam-se economicamente viáveis sem comprometer a produção, o gráfico não precisa imprimir dez mil unidades para justificar o setup. Para empresas que trabalham com variedade de SKUs, sazonalidade ou personalização, esse ponto muda a equação do negócio.
A Agfa chegou à ExpoPrint sem portfólio genérico. Escolheu dois segmentos específicos, display e embalagem, e usou os materiais tecnicamente mais exigentes como palco de demonstração. É uma leitura clara de onde o mercado ainda resiste à digitalização e onde a tecnologia já tem resposta para dar.
A transição digital no setor gráfico não é mais uma promessa de longo prazo. O que a Agfa demonstrou na ExpoPrint é que a tecnologia já está disponível, já opera em condições reais e já entrega o que antes era argumento para manter o analógico. A questão, agora, é de velocidade de adoção.
Gustavo Fleming Martins

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