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O luxo invisível do agora

O valor mais alto de uma marca não está mais no que ela mostra, mas no que ela silencia. Não é o logo dourado, nem o unboxing gravado em câmera lenta. É o que fica fora da vitrine, e, sobretudo, fora da rede. Em um mundo saturado de imagens, o luxo virou o que não se publica. Não se posta. Não se compartilha. Segundo o Luxury Report 2024, da Kantar, 74% dos consumidores de alta renda dizem preferir marcas que “não gritam status”. O novo luxo não precisa se apresentar. Ele é percebido.

Vivemos a era do luxo intangível. A era do tempo, do descanso, da saúde, da paz. O verdadeiro privilégio hoje não é ter uma peça da última coleção da Balenciaga, mas conseguir desligar o celular por 48 horas sem que o mundo desabe. O novo status está em ter uma vida que não precisa de provas. Um estudo da Bain & Company aponta que o “silêncio digital” se tornou um símbolo de elite entre os jovens de alto poder aquisitivo, uma reação ao excesso de autopromoção e ao cansaço da performance constante. Enquanto a classe média ainda corre atrás do lifestyle, a elite já mudou de pista.

Isso explica por que vemos menos logos e mais pele limpa. Menos carros esportivos e mais bicicletas de fibra de carbono. Menos mesas com garrafas de champanhe e mais pratos veganos com suplementos anti-inflamatórios. As marcas mais desejadas, hoje, não vendem produtos. Vendem acessos a experiências, a vitalidade, a um tipo de vida quase inalcançável pela lógica do trabalho tradicional. É o que explica o crescimento de 23% no mercado global de wellness de luxo em 2023, puxado por práticas como biohacking, medicina preventiva e retiros de autocuidado. A Hermès pode até continuar vendendo a Birkin, mas o que realmente não se compra, nem com cartão black, é um fígado regenerado com jejum intermitente e NAD+.

Marcas como a Equinox, que cobra mais de US$ 500 por mês em academias que parecem galerias de arte, já entenderam isso. Elas não vendem treino. Vendem pertencimento. Vendem o privilégio de ter uma vida em que a saúde não é uma obrigação, mas um prazer. Do outro lado, empresas como a Erewhon, nos Estados Unidos, transformaram um simples smoothie em um objeto de desejo e escassez. Não pela bebida, mas pelo estilo de vida que ela sugere: tempo, energia, liberdade. E é esse o bem mais escasso da atualidade.

O luxo, hoje, se esconde. E talvez por isso seja tão poderoso. A publicidade grita; o luxo sussurra. A lógica virou: quanto mais barulho, menos valor. Quanto mais acessível, menos desejo. O segredo voltou a ser um ativo. A exclusividade não está no acesso, mas no anonimato. E as marcas que entenderem isso vão liderar o futuro: não mais como símbolos de posse, mas como curadoras de presença, silêncio e bem-estar.

Porque, no fim, o que as pessoas mais querem não é parecer ricas. É parecer leves. Viver como se o mundo não as cobrasse o tempo inteiro. E você? Vai continuar tentando comprar status… ou vai começar a cultivar presença?

João Pedro

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