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O todo é maior que a soma das partes

Nenhum de nós é tão inteligente quanto todos nós juntos

Uma empresa é formada por uma série de processos e pessoas, seja ela estruturada ou não. Você certamente conhece um empreendimento que, mesmo não tendo processos bem estruturados, consegue números significativos de faturamento. Da mesma forma, deve conhecer negócios que não têm pessoas altamente capacitadas e especializadas por experiência e formação. E isso pode levar a uma reflexão perturbadora: para que devemos nos preocupar em estruturar processos e ter gente cada vez mais bem preparada nas nossas empresas?

A teoria da forma, ou Gestalt, como é conhecida pela psicologia, foi um movimento alemão que explica o porquê de ser impossível conhecer o todo por meio de suas partes. Ou seja: “A+B” não é simplesmente “A+B”. A soma dessas partes dá origem a outros elementos, como “C”, por exemplo. E esse terceiro componente promove um comportamento às vezes difícil de ser explicado, porque na maioria dos casos ele é implícito. Logo, duas empresas que atuem no mesmo segmento, com os mesmos equipamentos, com estruturas e equipes idênticas, vão ter resultados distintos.
O desafio de tornar isso explícito é o que muitos especialistas chamam de autoconhecimento. E quanto mais uma organização conhece a sua própria força, mais força ela consegue exercer, ganhar mercado e conquistar melhores resultados.

Os perigos são: os julgamentos e as mudanças sem conhecimento. Talvez você já tenha ouvido a metáfora da formiga que, ao ser observada pelo dono, decide contratar um supervisor, para aumentar a produtividade. Depois contrata um especialista em relatórios e uma secretária para ajudar na organização dos horários. Então, depois de aumentar a estrutura, o empresário decide demitir a formiga porque ela está desmotivada e não dá mais resultado.

Além do que acontece dentro de uma empresa, há os fatores externos. E toda essa dinâmica tem no todo os valores percebidos e o posicionamento de um empreendimento. Quando a empresa muda processos e pessoas sem dar atenção ao propósito do negócio, isso aumenta o conflito, e a consequência é a queda no desempenho.

Parece complexo? Existe uma forma mais simples de entender isso. E um exemplo você vai ver nesta edição da revista. Convidamos dois empresários de renome e à frente de uma empresa sólida que está comemorando 50 anos de mercado: Abraham e Jonathan Graicar contam o que aconteceu em meio século de Day Brasil.

O propósito de ser um ótimo intermediário entre quem fabrica e quem usa, somado às características das pessoas e dos processos da empresa, com um jeito de funcionar que vem dando certo… O resultado desse conjunto de fatores é que, mesmo diante da crise, a Day Brasil está fazendo investimentos e comprando novas empresas.

A singularidade da trajetória dessa empresa multifacetada nos ensina que podemos copiar as maneiras de se fazer negócio e até contratar as mesmas pessoas. Ainda assim os resultados serão diferentes. Eles podem ser piores ou até melhores, mas serão diferentes porque o todo é maior que a soma das partes, e cada empresa será única por sua forma de pensar e agir.

Cada negócio tem a oportunidade de evoluir seus processos fazendo pequenos ajustes e melhorias na direção que respeita o propósito. Da mesma forma, ter pessoas com os mesmos valores da sua empresa, e treinadas constantemente, fará uma diferença enorme – a seu favor. E, mesmo assim, fazendo tudo certo, é importante que você encontre a individualidade do seu negócio. O seu jeito de fazer acontecer.

Até a próxima edição.

Marco Marcelino

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