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Quanto vale a audiência sem nível de atenção

Estamos a um clique de boas oportunidades, podemos nos conectar a pessoas incríveis e, se houver sinergia, o cafezinho pode ser a antessala de novos negócios. Mas, essa conexão por interesses tem sua escala de um a dez. O interesse pode ser, por exemplo, participar de um sorteio de iPhone em troca de seguir aquela pessoa. Nesse caso, há um interesse pontual, com base em um estímulo específico, mas que não dá a mínima para o seu conteúdo.

Também existe a vontade de curtir e compartilhar todas as coisas que um desconhecido recomenda de conteúdo, algo que acontece por causa de um sentimento bacana de identificação. Eu atribuo um valor muito maior de influência, justamente para essas pessoas que se conectam por meio do conteúdo.

Mas será que os algoritmos estão, de forma inteligente, identificando e dando tamanho a quem produz esse tipo de influência? Eu acredito que não! Poucas são as figuras de influência em massa que conseguiram chegar a esse status por causa do conteúdo. Você quer conteúdo de qualidade? É o que mais temos aqui.

Nesta edição, a matéria de capa traz um papo bacana com Paulo Camargo, presidente do McDonald’s no Brasil. O conteúdo desta entrevista ficou incrível. Lembra que podemos aprender com as nossas próprias vivências, mas há um oceano de conhecimento e experiências de valor a se adquirir de grandes executivos como ele. Uma única fala pode gerar uma série de insights. Quer um exemplo? Paulo Camargo tem esta autodefinição em uma de suas redes sociais: “ajudo a minha equipe a fazer 2 milhões de clientes felizes todos os dias”.

Uma frase que mostra uma visão inspiradora de liderança, de um CEO que se vê como parte de um todo, de um grupo de 5 mil pessoas, cada uma com perfis distintos e a capacidade de fazer a diferença no atendimento ao cliente. A entrevista, que revê a revolução que Paulo e sua equipe fizeram recentemente na cultura do McDonald’s, é uma lição de como qualquer marca deveria escutar mais os clientes e criar jornadas que os aproximem do real conteúdo da empresa. É fato que vivemos um momento em que, para muitos indivíduos e marcas, o que vale é a quantidade de seguidores. Algumas agências julgam esses indicadores como algo extremamente relevante.

Há consultoria que tem o Dashboard como indicador de desempenho. E não tem sido incomum encontrar executivos que falem algo assim: “deixa eu ver quantos seguidores essa influenciadora tem e se ela é verificada”. Sim, algumas redes criam gamificação para creditar um maior valor pela verificação. E tem quem venda um serviço desses por R$ 30 mil. Me parece óbvio que esses números e práticas estão distantes da capacidade de fazer amigos e influenciar pessoas, tema do clássico livro do palestrante e desenvolvedor de treinamentos Dale Carnegie, de 1936. Aliás, recomendo muito a leitura. A tecnologia é somente um meio. Poderoso, claro, mas, se usado de maneira errada, só tomará seu tempo e dinheiro.

Não estou dizendo que a capilaridade pelo maior nível de atenção deva ignorar indicadores, pelo contrário. Quando tenho uma taxa de exposição maior, o público, por menor que seja, é impactado e pode se conectar pela relevância do conteúdo – ou por boas oportunidades. Lembre-se: Jesus só tinha 12 seguidores, e foi por causa do conteúdo do que ele falava, que essa dúzia se transformou em milhões de fiéis. Isso porque Cristo trazia a mensagem mais importante de todos os tempos: o amor ao próximo.

O estatístico W. Edwards Deming tinha uma frase brilhante sobre a importância de se ter informação de qualidade: “nós acreditamos em Deus, todos os outros devem apresentar dados”. Eu apenas acrescentaria: tragam-me dados inteligentes. Porque é isso que faz a diferença, a não ser que você seja o Todo-Poderoso, é claro.

Marco Marcelino

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