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White Martins antecipa jogo do hidrogênio verde no Brasil com nova fábrica de R$ 650 milhões

Com receita anual de US$ 1,5 bilhão e 70 plantas industriais em operação no Brasil, a White Martins acelera sua entrada definitiva no mercado de hidrogênio verde (H2V) com a inauguração, em outubro, de sua segunda fábrica no país. A unidade, localizada em Jacareí (SP), terá capacidade para produzir 800 toneladas anuais e já nasce com 80% da produção voltada à comercialização. O restante será utilizado pela fábrica de vidro Cebrace, vizinha à instalação.

Apesar da ausência de regulamentação federal para o H2V, cuja lei marco (14.958) ainda aguarda normativas complementares, o investimento da White Martins integra um pipeline nacional com mais de R$ 188 bilhões previstos e que pode gerar impacto de até R$ 7 trilhões no PIB até 2050, segundo a ABIHV. A unidade paulista replica o modelo já implementado pela Linde, controladora da White Martins, em Singapura, e será a sexta fábrica global da multinacional voltada à produção de H2V, somando-se a instalações na Noruega, Canadá, Alemanha e Pernambuco.

O grupo Linde, presente em mais de 100 países, alcançou receita global de US$ 31,8 bilhões em 2024 e fechou o primeiro trimestre de 2025 com US$ 7,5 bilhões em faturamento. A operação sul-americana, liderada pelo Brasil, soma quase US$ 2 bilhões, sendo a marca White Martins a única mantida pela Linde fora da Europa e América do Norte. A nova fábrica representa parte dos R$ 650 milhões investidos no Brasil nos últimos dois anos em infraestrutura industrial.

A primeira planta de H2V da empresa, em Ipojuca (PE), inaugurada em 2022, possui capacidade anual de 156 toneladas e destina 80% de sua produção para consumo interno de uma fábrica alimentícia local. Já a nova unidade terá raio de operação de até 800 km, cobrindo estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e parte de Minas Gerais. O custo competitivo do H2V, segundo a White Martins, se deve à verticalização dos investimentos, sem repasse de capex a terceiros.

A avaliação do setor privado é de que, mesmo sem definição plena do marco regulatório, o avanço da oferta impulsiona a demanda. Grandes consumidores industriais, como mineração, siderurgia e química, estão entre os alvos principais. Ao mesmo tempo, projetos de exportação ganham tração, especialmente nos portos do Pecém (CE) e Açu (RJ), em estágios avançados de planejamento.

No acumulado de 2025, as ações da Linde na Nasdaq valorizam-se 12,8%, com market cap atual de US$ 219,7 bilhões, evidenciando confiança de mercado na estratégia de expansão industrial e na aposta no hidrogênio verde como vetor relevante da transição energética global.

Gustavo Fleming Martins

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