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Dona do WeTransfer aposta alto e compra o Vimeo por US$ 1,38 bi

O Vimeo já nasceu como um outsider. Era a alternativa cult ao YouTube, a escolha dos que queriam mais delicadeza, menos publicidade, mais identidade. Era o VHS com fita dourada em plena era do streaming popular.

Agora, a notícia soa quase como uma ironia da história… A Bending Spoons, dona do WeTransfer e do Evernote, comprou o Vimeo por 1,38 bilhão de dólares. Dinheiro vivo, cheque à vista, um prêmio generoso sobre as ações que andavam murchas em Wall Street. Com isso, a plataforma deixa a vitrine da bolsa e volta ao anonimato estratégico das empresas privadas.

É curioso. O mercado aplaude quando uma empresa abre capital, mas muitas vezes é no silêncio do privado que ela reencontra sua essência. Sem a obrigação de agradar analistas a cada três meses, talvez o Vimeo volte a respirar fundo, a pensar grande.

Os italianos da Bending Spoons têm se especializado em reanimar marcas cansadas. Levaram Evernote, WeTransfer, Brightcove… e agora o Vimeo. É quase um museu do digital contemporâneo, só que ao contrário: eles não expõem relíquias, dão um banho de vida, aplicam tecnologia, IA, novos modelos de negócio.

O Vimeo, que já foi refúgio de criadores e hoje tenta se equilibrar entre pequenas empresas, streaming corporativo e serviços enterprise, ganha agora musculatura para ousar. Fala-se em inteligência artificial, em performance, em experiência avançada para usuários. Soa bonito, mas o desafio é visceral: em um mundo onde vídeo é ubiquidade, como voltar a ser indispensável?

A compra é também um lembrete: no capitalismo digital, nem sempre vence quem brilha mais, mas quem encontra um dono disposto a bancar o futuro. O YouTube segue reinando, o TikTok seduz multidões, mas o Vimeo agora tem algo raro, quase luxuoso… tempo e fôlego para tentar ser de novo a escolha de quem acredita que vídeo é mais do que views.

Marco Marcelino

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