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Lições que voam entre dados e turbinas

Em 2025, o mercado global de baterias para aeronaves vale 0,59 bilhão de dólares. Em 2030, será 1,04 bilhão. Um salto de quase 12% ao ano. Os números podem parecer modestos, mas representam uma mudança estrutural: a eletrificação da aviação. O que antes era apenas energia para sistemas de bordo agora se torna combustível de um novo ciclo, capaz de mover eVTOLs, aviões regionais e até projetos de mobilidade aérea urbana.

Na Europa, a meta é reduzir emissões e tornar cada voo parte de uma agenda de sustentabilidade. Nos Estados Unidos, os incentivos financiam tanto a Boeing quanto startups que testam aeronaves elétricas de curta distância. Na Ásia, a escala de produção dá vantagem competitiva para dominar cadeias de lítio e novas químicas, como o lítio-enxofre, que promete densidades acima de 300 Wh/kg.

E o Brasil? Somos um dos maiores polos aeronáuticos do planeta, com a Embraer ocupando o posto de terceira maior fabricante de aviões do mundo, atrás apenas de Boeing e Airbus. O setor aeronáutico brasileiro responde por cerca de 2% das exportações totais do país, movimentando mais de 5 bilhões de dólares por ano. Mas quando o assunto é bateria aeronáutica, a estatística é outra: praticamente 100% da tecnologia vem de fora.

Enquanto o mundo testa novos materiais e desenha regulações para certificar aeronaves híbridas e elétricas, aqui seguimos presos ao querosene. A Embraer até investe em protótipos de eVTOL com a Eve Air Mobility, mas a cadeia crítica, baterias, células energéticas, químicos avançados, ainda está distante do nosso território. A América do Sul aparece nos relatórios de mercado como rodapé, quando poderia estar na linha de frente.

O paralelo com o mercado de pagamentos é inevitável. Criamos o Pix e mostramos que o Brasil pode, sim, ditar tendência global. Mas na aviação corremos o risco de repetir a velha história: exportar aviões, mas importar o coração tecnológico que dará fôlego ao setor nos próximos 30 anos.

Os dados projetam que em cinco anos o mercado de baterias quase dobrará. Mas o dado que não aparece no relatório é o que realmente importa… teremos participação ativa nesse voo ou ficaremos apenas na plateia?

Porque a pergunta não é se o futuro da aviação será elétrico… mas se o Brasil terá coragem de embarcar antes que a decolagem aconteça sem a gente.

Marco Marcelino

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no tempo certo

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