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Liderar é facilitar transformações

Liderar é facilitar transformações e inspirar pessoas a voarem mais alto. Entenda o verdadeiro papel do líder na era humana da gestão.

Por Rosely Boschini··3 min de leitura
Liderar é facilitar transformações

Este mês eu quero trazer duas reflexões de Rubem Alves, que acredito serem importantes inspirações para nós que atuamos como líderes.

Rubem dizia que “educar é um ato de amor, de coragem: é lançar sementes e esperar que o tempo faça a sua parte.” E também nos deixou uma frase que se tornou quase um manifesto: “há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas.”

Essas duas frases falam de educação, mas também descrevem a essência da liderança.

Ao longo dos meus mais de 40 anos à frente da Editora Gente, aprendi que liderar é exatamente isso: lançar sementes e criar asas. Sementes porque nosso papel é provocar novos olhares, estimular talentos, abrir espaço para ideias que ainda não encontraram forma. E asas porque um líder que enxerga o seu propósito sabe que não está ali para aprisionar, mas para libertar: libertar o potencial das pessoas, das equipes e até das organizações.

Quando me vejo como CEO e mentora, percebo que meu maior trabalho nunca foi apenas cuidar dos números ou manter a engrenagem funcionando. Meu trabalho sempre foi — e continua sendo — facilitar a transformação. Facilitar a coragem de um autor em publicar seu primeiro livro. Facilitar que uma equipe encontre sentido naquilo que faz. Facilitar que uma visão de futuro se torne realidade.

Imagine uma situação simples do dia a dia: um colaborador chega até você com uma ideia ainda inacabada. Como líder, você pode reagir de duas formas. Pode destacar apenas os pontos frágeis, lembrando de tudo o que ainda não está pronto e desencorajando a iniciativa — e, com isso, você constrói uma gaiola. Ou pode valorizar o esforço, reconhecer a coragem de trazer algo novo, estimular os próximos passos e se oferecer para ajudar a lapidar — e, nesse caso, você constrói asas.

Esse mesmo princípio vale em diferentes níveis: quando contratamos alguém, quando promovemos uma pessoa, quando lideramos uma reunião estratégica, ou até quando escolhemos como comunicar uma decisão difícil. Liderança é uma sucessão de microdecisões que, no conjunto, determinam se nossa cultura será um lugar de aprisionamento ou de liberdade.

Ser líder não significa ser o herói que resolve tudo sozinho. Significa ser o facilitador que cria condições para que a transformação aconteça. É abrir espaço para que outros brilhem, reconhecer potenciais que ainda não estão claros nem para a própria pessoa, e dar os estímulos certos para que cada um se desenvolva.

Muitos líderes ainda acreditam que seu papel é garantir resultados de curto prazo. Mas a verdade é que o verdadeiro legado da liderança está na transformação que promovemos nas pessoas. São elas que multiplicam os resultados e sustentam a perenidade de qualquer organização. Quando entendemos isso, deixamos de construir gaiolas e passamos a construir asas.

E é isso que representa, para mim, a verdadeira liderança: a capacidade de cultivar o novo, inspirar pela presença e transformar pela coragem. Líderes que compreendem esse papel não controlam, libertam. Não impõem, despertam. São aqueles que plantam sementes de futuro e têm a generosidade de ver outros voarem mais alto.

Desejo que cada decisão sua, a partir de hoje, seja uma semente plantada para o crescimento dos outros — e para o legado que você quer deixar no mundo.

Autor

Rosely Boschini

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