Perguntaram a João Paulo Krajewski o que ele pretende fazer depois de vencer um Emmy, visitar mais de 70 países e assinar séries para Netflix, BBC e Discovery. Ele resumiu numa frase só: fazer o mesmo, cada vez melhor.
Não é resposta de quem está acomodado. É resposta de quem já encontrou o que ama e decidiu que o desafio não é mudar de caminho, é aprofundar nele. Enquanto boa parte do mercado audiovisual está sempre buscando o próximo passo, o próximo formato, a próxima fronteira, Krajewski olhou para trás, viu a própria trajetória e escolheu refiná-la em vez de abandoná-la.
Pedro Dimitrow chegou à mesma pergunta por um caminho completamente diferente. Em vez de uma frase curta, escreveu. Contou como começou como estagiário júnior e foi, degrau por degrau, até fotografar algumas das personalidades mais relevantes do país, coleção de trinta e três anos que hoje carrega Cannes Lions, Epica Awards, Prêmio Abril, Prêmio Colunistas. Ele fala em luz, composição e intenção como quem descreve uma técnica, mas também fala em alma, e isso muda tudo. Não é o vocabulário de quem apenas domina o ofício. É o vocabulário de quem colocou o coração dentro dele.
Dois fotógrafos, duas formas opostas de responder à mesma pergunta sobre o próprio futuro. Um encontra sentido na repetição do que já ama. O outro encontra sentido em olhar para trás e narrar a própria transformação. E foi justamente essa diferença que a Canon do Brasil decidiu colocar lado a lado nesta terça-feira, dia 14 de julho, na Casa Canon, em São Paulo.
Krajewski é biólogo, mestre e doutor em Ecologia pela Unicamp antes de ser fotógrafo, e carrega essa formação para dentro do próprio trabalho. Documentar a natureza exige esperar o instante que não se repete, aceitar que o animal pode simplesmente não aparecer, confiar que a paciência será recompensada. “Contar histórias da natureza exige precisão, resistência e sensibilidade”, diz ele. É quase uma descrição de método científico aplicado à imagem.
Dimitrow trabalha do lado oposto dessa mesma exigência. Enquanto Krajewski espera o que o mundo entrega, ele decide o que o mundo vai ver. Nada na fotografia dele é acaso: cada luz, cada enquadramento, cada gesto do retratado é escolha deliberada. Um confia no imprevisível da natureza. O outro elimina o imprevisível da cena.
É aí que a escolha da Canon fica interessante. Uma marca que quisesse apenas exibir versatilidade escolheria embaixadores parecidos, uns cinco ou seis, cobrindo nichos diferentes do mercado. A Canon escolheu dois que discordam sobre o que é fazer uma boa imagem e apostou no equipamento como o único ponto capaz de sustentar essa diferença sem quebrar. Shaun Hizawa, presidente da Canon no Brasil, falou em usar os embaixadores para explorar “todo o potencial dos equipamentos”. A frase é discreta, mas resume bem a estratégia: provar que a mesma câmera serve tanto a quem espera quanto a quem constrói.
Leo Yamakawa, diretor da Canon do Brasil, é ainda mais direto sobre o horizonte da decisão. Diz que o programa de embaixadores nasce para durar, não para marcar presença num único lançamento. É esse compromisso de longo prazo, mais do que o anúncio desta terça-feira, que consolida a Canon como referência entre quem vive de imagem no Brasil.
A Canon chama sua filosofia corporativa de Kyosei, viver e trabalhar juntos para o bem comum. Poderia ser só um slide institucional. Mas olhando para Krajewski e Dimitrow lado a lado, o conceito ganha um uso concreto que nenhuma nota de imprensa declara diretamente: o bem comum, aqui, é entre dois modos opostos de amar a mesma profissão. Um que repete o que já é seu. Outro que reconstrói a própria história a cada retrato.
Mais de 100 milhões de câmeras EOS e 170 milhões de lentes RF e EF produzidas desde 1974 no Brasil não sustentam uma marca sozinhas. O que sustenta é a confiança de quem depende delas no momento em que não há segunda chance, seja esse momento a espera de um animal selvagem ou a decisão de um milésimo de segundo diante de um rosto.
A Canon não anunciou dois embaixadores. Anunciou os dois extremos do mesmo amor pelo ofício. E poucas marcas têm coragem de escolher só dois quando poderiam escolher dez.