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Banana, a Corte e os Burocratas

Por Ricardo Amorim··2 min de leitura

BEra uma vez um reino chamado Banânia. Seu governo gastava sempre mais do que arrecadava. A corte e a corrupção consumiam todos os recursos. Porém, os burocratas locais eram muito criativos. Sempre encontravam um jeitinho. 

Banânia era conhecida por seus sapatos. Suas sapatarias davam inveja aos reinos vizinhos. Entre todas, Sapatótimo se destacava. Tinha três sapateiros, os melhores do mundo. 

Um dia, no auge da corrupção e da gastança com a corte, o governo ficou sem dinheiro. O Rei recorreu aos burocratas. Logo, eles acharam a solução: um carimbo amarelo seria obrigatório em todos os sapatos produzidos no reino. Qualquer par sem o selo de Banânia condenaria seu produtor a uma pesada multa. Genial! 

O Rei contratou vários fiscais, aumentando os gastos do reino, mas quem se importava com isso? A arrecadação cresceria, garantiam os magos.  

Os sapateiros se organizaram. Em Sapatótimo, os três sapateiros decidiram que, a partir dali, um produziria, outro carimbaria e o terceiro conferiria as carimbadas. Antes, eles faziam 300 sapatos por mês. Com só um sapateiro produzindo, a produção mensal caiu para 100 sapatos. Para compensar, aumentaram o preço dos sapatos. 

A maioria das sapatarias fez a mesma coisa. A produção de Banânia caiu a pouco mais de um terço de antes. Começou a faltar sapatos. O reino, que antes exportava, teve de importar sapatos piores e mais caros. Com o preço alto, muita gente não pode mais comprá-los. Passaram a andar descalços. Tudo bem, “quem não tem sapatos, que use sandálias” disse a Rainha.   

A maioria dos sapateiros agora produzia e vendia menos. Ficaram mais pobres. Seus filhos não queriam seguir seus passos. O sonho agora era tornar-se Fiscal do Carimbo Amarelo, e ser amigo do Rei.  

Ao contrário do imaginado, a arrecadação cresceu pouco. Depois de pagar os salários dos fiscais, não sobrou muito. Nem todos cumpriam a lei, mas os sapateiros que não a cumpriam, ao invés de pagarem multas, ficavam cada vez mais ricos. Só os próprios fiscais e a corte eram mais ricos do que eles. Um mistério eram as mansões e os bunkers dos fiscais. Como conseguiram comprá-las? Para que serviam? Havia quem dissesse – blasfêmia da imprensa – que eram para guardar malas e caixas de dinheiro. 

Pressionado pela falta de arrecadação e pela corte, o Rei chamou novamente os burocratas. Eles não decepcionaram. Além do carimbo amarelo, a partir de agora, todos os sapatos de Banânia terão também um carimbo vermelho. Novos fiscais foram contratados, a maioria das famílias do Rei, da corte, dos burocratas... 

Autor

Ricardo Amorim

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