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Hyundai aposta em robôs para impulsionar escala e eficiência industrial

Implementação de humanoides reforça estratégia de automação em larga escala

A Hyundai Motor Company iniciou uma nova fase de automação industrial com a integração massiva de robôs da Boston Dynamics, empresa da qual adquiriu 80% por US$880 milhões em 2020. A montadora sul-coreana está incorporando “dezenas de milhares” de unidades dos robôs Spot e Atlas elétrico em suas operações, ampliando sua dependência de sistemas autônomos para processos industriais.

O Spot, modelo quadrúpede equipado com sensores térmicos, LiDAR e inteligência artificial embarcada, agora é responsável por tarefas de inspeção em tempo real nas fábricas da Hyundai. Ele realiza patrulhas autônomas com foco em segurança operacional, monitorando temperatura ambiente, portas abertas e possíveis focos de incêndio.

Já o novo Atlas elétrico foi projetado para executar tarefas consideradas repetitivas ou insalubres. A versão atualizada do robô bípedo da Boston Dynamics está sendo empregada para movimentar componentes como tampas de motor, atuando em operações de logística interna entre containers. A adoção em larga escala desses sistemas será iniciada em duas unidades da Hyundai que, juntas, produzem mais de 500 mil veículos por ano.

A aposta da Hyundai em robótica ocorre em um momento de crescimento acelerado desse mercado. De acordo com projeções da Goldman Sachs, o setor global de robôs humanoides pode alcançar um faturamento superior a US$38 bilhões por ano até 2035. Essa estimativa posiciona empresas com produção escalável e integração direta nas linhas industriais como potenciais líderes na próxima década.

Outras empresas também disputam espaço nesse mercado. A Figure AI, por exemplo, já arrecadou US$745 milhões e negocia uma nova rodada de financiamento de US$1,5 bilhão, o que pode levar seu valuation a US$39 bilhões. A startup testa seu robô Figure 02 nas linhas da BMW. A Agility Robotics, avaliada em US$1,7 bilhão, trabalha com a Ford, Amazon e Spanx, empregando o robô Digit em funções operacionais. A Apptronik, apoiada pela Mercedes-Benz, já soma US$431 milhões em investimentos e avalia o desempenho do robô Apollo em ambientes fabris da GXO.

No cenário asiático, a UBTech afirma ter aumentado em 120% a eficiência das linhas de produção da Audi e da BYD com seus robôs Walker. A Unitree Robotics também chama atenção com avanços consistentes em robótica autônoma aplicada à indústria.

Diante do avanço chinês em manufatura e logística automatizada — marcada por fábricas escuras que operam sem iluminação ou presença humana —, empresas norte-americanas como Tesla, Agility Robotics e a própria Boston Dynamics têm pressionado o governo dos Estados Unidos a estabelecer uma política nacional de robótica. O foco é evitar a perda de competitividade diante do domínio chinês em produção e supply chain.

Com sua estrutura tecnológica e industrial, a Hyundai busca não apenas otimizar custos e escalar sua produção, mas também fortalecer sua presença no ecossistema global de robótica. Há especulações no mercado de que a Boston Dynamics pode estar se preparando para um IPO, movimento que reforçaria ainda mais a posição da Hyundai nesse segmento estratégico.

Gustavo Fleming Martins

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