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Uber e iFood unem forças para disputar liderança em mobilidade e delivery no Brasil

A Uber e o iFood anunciaram uma parceria estratégica que amplia significativamente a presença de ambas as marcas no Brasil, mercado que movimentou R$ 40 bilhões apenas no segmento de delivery em 2024, segundo dados da Euromonitor. A aliança prevê a integração parcial dos serviços nos respectivos aplicativos: usuários do iFood poderão solicitar corridas da Uber, enquanto clientes da Uber terão acesso às opções de delivery operadas pelo iFood, incluindo alimentos, mercados, farmácias e lojas de conveniência.

O movimento é um reposicionamento relevante para a Uber, que abandonou o Uber Eats no Brasil em 2022 após enfrentar dificuldades para competir com o iFood, que processa hoje cerca de 120 milhões de pedidos mensais e opera em mais de 1.500 cidades. O iFood mantém parcerias com 400 mil estabelecimentos e conta com 360 mil entregadores ativos. Já a Uber, presente no Brasil desde 2014, soma 30 milhões de usuários ativos e uma base de 1,4 milhão de motoristas e entregadores. Globalmente, a empresa já realizou mais de 61 bilhões de viagens, 11 bilhões delas no Brasil.

Segundo Dara Khosrowshahi, CEO da Uber, apenas metade dos usuários atuais utiliza ambas as plataformas de forma recorrente. A união busca, portanto, maximizar a penetração cruzada de serviços e gerar sinergia em uma base de consumidores altamente ativa. As funcionalidades integradas começarão a ser testadas em cidades selecionadas no segundo semestre de 2025.

A parceria também serve como resposta direta à iminente entrada da chinesa Meituan no Brasil. Com um aporte anunciado de R$ 5 bilhões (cerca de US$ 890 milhões), a plataforma pretende disputar o mercado local com uma proposta agressiva, o que reacende a competição no setor. A movimentação da Meituan ocorre em um momento de consolidação global das plataformas de tecnologia, pressionando líderes locais a buscar eficiência e ampliação de market share.

A estratégia conjunta de Uber e iFood é, acima de tudo, uma tentativa de conter a fragmentação do consumo digital, ampliar a retenção dos usuários e otimizar as operações em um mercado que passa por transformações aceleradas.

Gustavo Fleming Martins

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