Compartilhe com sua comunidades

Scania sustenta lucro com agro em retração, juros altos e aposta em biometano

Após um ano recorde em 2024, com 30 mil veículos vendidos e crescimento de 60% nas vendas de caminhões no Brasil, a Scania projeta estabilidade ou retração de até 10% para 2025. A desaceleração é atribuída principalmente ao impacto das taxas de juros elevadas no financiamento de veículos pesados, além de um ritmo ainda lento de recuperação do agronegócio, que passou de 45% para 30% na participação das vendas da montadora no ano anterior.

Mesmo com o setor agropecuário enfrentando quebra de safra e custos elevados em 2024, a Scania aposta em uma retomada gradual a partir do segundo semestre de 2025. A expectativa é que a super safra e o aumento no valor do frete contribuam para recompor o caixa dos operadores logísticos e reativem a demanda por caminhões, com possibilidade de retomada da fatia histórica de 45% nas vendas. No primeiro trimestre de 2025, o segmento de pesados já mostrou queda de 7% nos emplacamentos, enquanto os semipesados cresceram 20%.

Com 22% do EBITDA global vindo do Brasil, a Scania intensificou sua presença local e anunciou um ciclo de investimentos de R$ 2 bilhões até 2028, focado na modernização da linha de produção para caminhões a diesel, gás e elétricos. Entre 2020 e 2024, a empresa já havia investido R$ 1,4 bilhão. Do total produzido no Brasil, 25% a 30% são destinados à exportação para América Latina, África do Sul e Austrália.

Na transição energética, a Scania vê crescimento acelerado no portfólio de caminhões movidos a combustíveis alternativos. Desde 2018, já vendeu 1,5 mil unidades a gás. Para 2025, a previsão é comercializar 700 unidades adicionais, com 400 já contratadas. Os modelos lançados mais recentemente oferecem autonomia de até 650 km, o que viabiliza operações no agro, carga industrializada e logística pesada. A empresa também fechou, com a Amaggi, a venda de 101 caminhões 100% movidos a biodiesel na safra 2023/2024, e somou mais 20 unidades vendidas a outros grupos.

Com o projeto “corredores azuis”, a montadora acelera parcerias para desenvolver infraestrutura de abastecimento de biometano, combustível que pode reduzir emissões de CO₂ em até 90%. A empresa também iniciou vendas dos primeiros caminhões elétricos, com entregas previstas para 2026, embora a operação ainda dependa de infraestrutura e incentivos. Segundo a Scania, a diversificação da matriz energética do transporte rodoviário no Brasil deve incluir diesel sintético (HVO), biodiesel, gás natural, biometano e elétrico, em ciclos complementares.

Com financiamento próprio cobrindo quase 50% das vendas por meio do Scania Banco, consórcio e locação, a empresa também se protege parcialmente do cenário de crédito restrito. Na Agrishow 2025, apesar da projeção inicial de queda de 10%, o volume de intenções de compra surpreendeu positivamente, e a Scania já trabalha com a possibilidade de fechar com crescimento.

Gustavo Fleming Martins

Informação valiosa, 
no tempo certo

Assine nossa newsletter

Os dados pessoais fornecidos neste formulário serão utilizados exclusivamente para a assinatura da newsletter, ou seja, para receber a revista digital “Empresário Digital” conforme a manifestação de vontade realizada pelo titular ao preencher e encaminhar seus dados.

Anúncio

O fim da Rádio Eldorado não deveria ser interpretado apenas como mais uma perda afetiva do rádio brasileiro. Para líderes de marketing, comunicação e negócios, o caso expõe uma questão...
Existe uma ilusão perigosa circulando nas salas de reunião e nos escritórios de líderes ao redor do mundo. É a ideia de que usar uma ferramenta poderosa equivale a dominá-la....
Este ano completo 20 anos como headhunter. Experiente o suficiente para reconhecer padrões, inquieto o bastante para continuar aprendendo. Talvez este seja o paradoxo da profissão: você aprende a ler...
O avanço da inteligência artificial generativa trouxe uma transformação profunda que vai muito além da produtividade: a industrialização do crime cibernético. Para o ambiente corporativo, a questão deixou de ser...
Se tem uma coisa que eu aprendi em todos esses anos como CEO da Editora Gente e acompanhando a carreira de tantos outros CEOs, empresários e líderes de negócios em...
Cinco anos atrás, dizer "phygital" em apresentação corporativa era um sinal de quem lia tendência antes dos outros. Em 2026, é um sinal de quem chegou atrasado.A categoria mudou de...