O novo poder das marcas
Percebemos tarde demais que o jogo mudou. Enquanto muita gente ainda discute campanha, as empresas mais inteligentes já estão discutindo narrativa.

Percebemos tarde demais que o jogo mudou. Enquanto muita gente ainda discute campanha, as empresas mais inteligentes já estão discutindo narrativa.
Durante décadas o marketing foi um grande espetáculo de fogos. Barulho concentrado, orçamento alto, 15 dias de atenção e silêncio absoluto logo depois. Um tiro de canhão no escuro. Às vezes acertava. Na maioria das vezes, não. O problema nunca foi criatividade. Foi modelo mental.
Em 2026, marca que vive só de campanha depende de espasmo. Aparece, some e paga de novo para reaparecer. Isso não constrói memória, não cria hábito, não gera confiança. Só queima caixa e alimenta vaidade. O que estamos vendo agora é outra coisa. Empresas que entenderam que atenção não se compra apenas, se cultiva.
Red Bull, Nike, LVMH, Marriott, Cimed, Magalu... em camadas diferentes do mesmo raciocínio. Todas fizeram a mesma leitura estratégica.
Se o consumidor passa horas consumindo mídia, então a marca precisa virar mídia.
Não é significa postar mais. Nem se tornar viral. Muito menos gritar. É ser recorrência e taxa de lembrança. Quando uma empresa cria um ecossistema de mídia, ela muda a lógica do jogo. Cada conteúdo não precisa performar sozinho. Ele alimenta o próximo. Cria familiaridade. Gera intimidade. Constrói confiança no longo prazo. Branding deixa de ser discurso e vira prática diária.
Por isso vemos líderes virando creators. Bastidores virando narrativa. Microprogramas substituindo campanhas. O dia a dia sendo documentado com inteligência.
Volume com intenção. Distribuição com método.
A diferença é brutal. Campanha é pico de atenção. Ecossistema é atenção acumulada.
As grandes marcas entenderam algo fundamental. Branding não é convencer alguém agora. É ocupar um espaço mental ao longo do tempo. É criar as associações certas, repetidas, consistentes, humanas.
Em 2026, fazer branding não é gastar milhões em um único comercial. É repetir a mesma mensagem em milhares de conteúdos, em múltiplos formatos, com pessoas reais, construindo junto com o público o lugar que a marca quer ocupar na mente dele.
Quem ainda trata mídia como suporte está atrasado. Mídia virou ativo estratégico. E empresa que não entende isso vai continuar comprando atenção enquanto outras estão construindo patrimônio.
Marco Marcelino
Relacionados
EditoriaisO futuro pertence a quem entende pessoas
Existe uma cena curiosa acontecendo dentro das empresas. Nunca tivemos tanto dado. Nunca tivemos tanta tecnologia. Nunca tivemos tantas respostas. E, ainda assim, nunca vimos tanta dificuldade para formular boas perguntas.
EditoriaisO erro não está na tecnologia
Existe uma diferença brutal entre empresas que usam tecnologia… e empresas que entendem pessoas. Ao ouvir Juliana D’Auria falar sobre fashion tech, omnicanalidade, IA e dados, uma percepção ficou inevitável… talvez o erro do mercado nunca tenha sido falta de inovação. Talvez o erro esteja na superficialidade.
EditoriaisO que sustenta o gigante
Sessenta e cinco bilhões de reais por ano. Trinta e sete mil colaboradores. Novecentas e dezessete cidades. Trinta e sete milhões de clientes. O Magazine Luiza é um gigante. Mas a pergunta que importa não é o tamanho. É o que sustenta esse tamanho.
